Sob o lema "Mulher Rural o garante da Segurança Alimentar", cerca de 500 mulheres rurais de todo país desfilaram no dia 15 de Outubro, no distrito da Manhiça, Província de Maputo ostentando alguns instrumentos de trabalho, dísticos e cartazes, com mensagens referentes aos desafios que enfrentam para fazer face ao dia-a-dia e melhor contribuir para na produção de alimentos
Na ocasião, apontaram o difícil acesso ao documento que confere o Direito de uso e Aproveitamento da Terra (DUAT), conhecimento, mercado justo e recursos financeiros como obstáculos que precisam superar. "A falta de informação, constrangimentos culturais e o facto do processo para aceder ao DUAT ser complicado, moroso e oneroso para a maioria das mulheres rurais, acaba limitando a participação deste grupo de mulheres no processo de produção de alimento e no processo de desenvolvimento" – Marta Cumbi, Coordenadora do Género, FDC.
Os baixos índices de desenvolvimento humano resultantes do fraco acesso aos serviços sociais básicos, recursos e oportunidades também foram apontados como sendo o reflexo da marginalização da mulher nos processos de tomada de decisão e nos programas de desenvolvimento.
Artur Chindandali, administrador do distrito de Manhiça enfatizou a necessidade de facilitação do acesso ao DUAT e recursos para as mulheres, tendo apontado a participação das mulheres nos conselhos consultivos distritais e o acesso aos 7 milhões como algumas alternativas para contornar o cenário tido como pouco aceitável para as mulheres rurais.
Para além da marcha onde também participaram representantes de Organizações da Sociedade Civil, governo do distrito de Manhiça e a comunicação social, o dia foi marcado por actividades culturais, discursos, desfile das mulheres rurais e exposição e venda de produtos.
A comemoração foi coordenado pelo Fórum Moçambicano das Mulheres Rurais (FOMMUR), criado em 2008, como espaço de debate, partilha de experiências e advocacia para as mulheres rurais que em Moçambique representa 70% da população feminina. Congrega mulheres de todo o país e tem como impulsionadores, para além das associações de mulheres rurais, a FDC, o Fórum Mulher, a MUGEDE, o FORCOM, a Oxfam GB e a Action Aid.





