Sou Muajibo Omar, nascida no dia 25 de Dezembro de 1979, na aldeia comunal de Chimbalambala (desabitada ao longo do conflito dos 16 anos), no distrito de Sanga, Província do Niassa. Os meus pais separaram-se quando eu tinha 2 anos tendo a minha mãe contraído outro matrimónio em 1982, ano em que passei a viver com a minha avó materna, na aldeia de Mapudje - Unango. Em 1986, perdi minha mãe devido o conflito armado que muito assolou a aldeia onde nasci, ao ponto desta acabar por ficar desabitada.
Órfã de mãe, entrei na escola pela primeira vez em 1987, tendo frequentado o ensino primário, por cinco anos, na aldeia de Mapudje.Após ter terminado o ensino primário (1º grau), fui viver no internato de Unango, onde continuei com o ensino primário do 2º grau. Aqui estudei durante três anos, dado ter reprovado na 7ª classe.
Em 1995, passei a frequentar o ensino secundário, na Escola Secundária Paulo Samuel Kankhomba na cidade de Lichinga. O nível básico foi muito difícil devido aos vários problemas financeiros e sociais, que a minha família enfrentava, que tanto me afectavam, mas mesmo assim, em1999 conclui a 10ª classe. Prosseguindo os estudos na mesma escola, conclui o nível médio, em 2001 como uma das melhores alunas, o que me valeu uma bolsa de estudo para Portugal.
Enquanto aguardava a bolsa, em 2002 e 2003, trabalhei num projecto de ensino à distância, gerida pelo Ensino Secundário Aberto Moçambicano (ESAM), uma instituição religiosa pertencente à Diocese Católica de Lichinga, onde fui professora e assistente académica, o que constituiu uma importante experiência. Através de uma bolsa de estudo cedida pela Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC) em parceria com a Fundação Luso Amer icana para o desenvolvimento (FLAD), em Novembro de 2003, entrei na Universidade Técnica de Lisboa (UTL), no Instituto Superior de Agronomia, estudei e concluí o nível de Mestrado em Ciências de Engenharia do Ambiente no ano de 2008.
Em Janeiro de 2009, regresso definitivamente a Moçambique, minha terra natal, onde em Março passei a trabalhar na escola onde fiz os níveis básicos e médio, leccionando a disciplina de Química. Hoje estou feliz por estar formada e ter conseguido ultrapassar todas as dificuldades que eu e minha família passamos. Aproveito este espaço que me foi cedido pelo “Himbe”, para me associar a muitas mulheres que lutam pelos seus sonhos e dar toda a força e apoio para que não parem nunca de lutar. Eu nunca perdi a esperança e a vitória é certa para as que perseveram.





